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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

o tempo

o tempo passou mais rápido
o tempo passou muito rápido
o tempo rapidamente passou

tempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempotempo

o tempo
o tempo passou
o tempo passou rápido
o tempo passou mais rápido
o tempo passou muito mais rápido

maya, setembro 2012.

um video para o tempo de nada...
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

voltar a escrever, por que isto?


voltar a escrever, por que isto?

volto a escrever,
escrever para espantar!
volto a escrever.

volto a escrever,
escrever para pensar!
volto a escrever.

volto a escrever,
escrever para brincar!
volto a escrever.

volto a escrever,
escrever para dançar!
volto a escrever.

volto a escrever,
escrever para andar!
volto a escrever.

volto a escrever!
volto a escrever, porque necessito viver!
volto a escrever!...

Maya, agosto de 2012.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

poema para nada

POEMA PARA NADA

não é nada,
e só poesia...
poesia para nada...

seria um devir,
um devaneio,
seria um iludir...

não! e só poesia...
e só poesia...
poesia para falar nada (para nada falar de poesia)

é um koan,
é um haikai,
é um harakiri.

seria uma palavra ao vento...
seria uma travessia no mar...
seria uma experiência ao leo...

é só poesia...
é poesia...
poesia para nada!

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e só poesia...
poesia para nada...
e só poesia...

seria um devir,
um devaneio,
seria um iludir...

e só poesia...
e só poesia...
poesia para falar nada (para nada falar de poesia)...

é um koan,
é um haikai,
é um harakiri.

seria uma palavra ao vento...
seria uma travessia no mar...
seria uma experiência ao leo...

é só poesia...
é poesia...
poesia para nada!

MaYa, 21 de agosto de 2012.
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duas versão de um mesmo poema...
  escolha qual você prefere e leia...
    e boa leitura...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

haikai da primavera

uma pétala caia.
uma borboleta voa.
primavera, no colo, caia.

Maya, 28 de outubro de 2011.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Haikai - bem pequenos

Hai Kai
Raio Azul
Raio Kaiu
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Os caminhos variam,
os destinos variam,
o fim é o mesmo...
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Pequenas frases.
Frases inteiras.
Pequenas inteiras.
-------------------------------
Som, Voz, Silêncio,
Cor, Luz, escuro,
Cor, som caminham (Des)juntos.
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Borboleta na flor;
Olhos verdes-mar;
Como é fácil apaixonar.
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Onde andar?
O que comer?
O que será?
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Maya, 28.09.2001

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Poemas na cidade

Os muros de Brasília estão ficando mais belos, estão ganhando poesias, belas poesias.

Obrigado ao coletivo que está espalhando estas jóias pela cidade.

Quer uma?...Então ande pela cidade olhando e reolhando seus recantos e assim, talvez, ache uma jóia.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rainer Maria Rilke

Infância

Passa lento o tempo da escola e a sua angústia
com esperas, com infinitas e monótonas matérias.
Oh solidão, oh perda de tempo tão pesada...
E então, à saída, as ruas cintilam e ressoam
e nas praças as fontes jorram,
e nos jardins é tão vasto o mundo —.
E atravessar tudo isto em calções,
diferente de como os outros vão e foram —:
Oh tempo estranho, oh perda de tempo,
oh solidão.

E olhar tudo isto à distância:
homens e mulheres; homens, homens, mulheres
e crianças, tão diferentes e coloridas —;
e então uma casa, e de vez em quando um cão
e o medo surdo trocando-se pela confiança:
Oh tristeza sem sentido, oh sonho, oh medo,
Oh infindável abismo.

E então jogar: à bola e ao arco,
num jardim que manso se desvanece
e por vezes tropeçar nos crescidos,
cego e embrutecido na pressa de correr e agarrar,
mas ao entardecer, com pequenos passos tímidos,
voltar silencioso a casa, a mão agarrada com força —:
Oh compreensão cada vez mais fugaz,
Oh angústia, oh fardo!

E longas horas, junto ao grande tanque cinzento,
ajoelhar-se com um barquinho à vela;
esquecê-lo, porque com iguais
e mais lindas velas outros ainda percorrem os círculos,
e ter de pensar no pequeno rosto
pálido que no tanque parecia afogar-se — :
oh infância, oh fugazes semelhanças.
Para onde? Para onde?

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mario Quintana

POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!



Mario Quintana

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um amor...

Todas as Cartas de Amor são Ridículas


Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


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Estou me sentindo bem ridículo e esdrúxulo,
ou melhor estou esdrúxulo por isso estou ridículo,
ou seria estou amando e assim estou ridículo,
ou sou esdrúxulo então amo e sou ridículo porque amo.
O que importa, e que AMO, sou amor, então sendo assim, sou ridículo e esdrúxulo.
Tenham uma boa semana.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Um perdido...

Por MaYa.

Um perdido em Paris
Paris que me vez perder-me,
Perdido partirei.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Um Poema...

O Guardador de Rebanho
Alberto Caeiro

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...